Os terceirenses


Dizem no arquipélago que a Terceira é a ilha sempre em festa. E é verdade. Os terceirenses resolvem a sua insularidade com alegria e tranquilidade. Andam de festa em festa, não apenas na ilha mas também nas demais, principalmente do Grupo Central. Uma festividade no Pico ou em S.Jorge é sempre alegrada por uma quantidade considerável de terceirenses. E quando não há razão aparente para celebrar, eles inventam. 
Esta alegria, que vai ajudando os pouco mais de 50 mil habitantes da pequena ilha a sentirem-se unidos e contentes, é contagiante. 
A paisagem, por vezes agreste e até assustadora, também ajuda. Raul Brandão chamou-lhe a ilha Lilás. Entre o céu, o mar e a terra, entre as nuvens que se acotovelam e a profusão de arco-íris completos e simutâneos, nunca há dois momentos iguais.
Apreciadores de música e touradas à corda, orgulham-se da sua resistência aos espanhóis e de terem sido o último pedaço de Portugal onde os filipes conseguiram entrar, com batalhas épicas nas enseadas da ilha. Com sobranceria, sorriem ao explicar que, das muitas fortificações existentes, a de São João Baptista, construída pelos espanhóis, é a única que está voltada para terra. 
Os angrenses, em especial, são orgulhosos da sua cidade, classificada como Património Mundial pela UNESCO, e do seu desempenho durante a guerra civil, cujo forte apoio aos liberais lhes valeu a designação de "Heroísmo" e lhes deixou a tolerância como um traço de personalidade.
Aos continentais, não perdoam o "tique" comum de facilmente se referirem ao Continente como "Portugal", o país a que gostam de pertencer, apesar do esquecimento e abandono a que foram vetados durante tempo de mais. Não é, por isso, de estranhar, que perante os que de lá chegam exista desconfiança e até alguma má vontade. Algo de desconfortável para quem decidiu viver aqui pelo simples facto de se ter apaixonado por esta ilha, cujas loucas gentes são capazes de azedumes infundados, mas também de grandes bravuras e solidariedade. 
Guiomar Belo Marques©

Ilegítima De regresso ao blog, sinto-me como regressada à Ilha Lilás, como a filha ilegítima que sou, por natureza. Ilegítima nos sítios...